• Danielle Lins

Seminário discute comunicação pública, mídia e política

Atualizado: Jan 30

Foto dos integrantes da primeira mesa: Ana Veloso, Paula Reis, Gustavo Almeida, Adriana Santana e Inácio França (da esq. para dir.)

A primeira semana de outubro já começou com muita informação e conhecimento. O Centro de Ciências Sociais Aplicadas - CCSA recebeu, de 1º a 3, o Seminário “Que país é esse? Comunicação e Política em uma Democracia em Crise”, um evento realizado pelos Programas de Pós-Graduação em Comunicação e Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, em conjunto com o Programa Fora da Curva, da Rádio Universitária, e o portal Marco Zero Conteúdo de jornalismo independente.


Palestras com temas voltados à comunicação pública, novas formas do jornalismo, mídia e política rechearam a programação do seminário. No dia da abertura, o editor executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori, marcou presença e falou sobre “#VazaJato: as encruzilhadas da Mídia, da Política e da Justiça”.


Discussões em torno dos discursos autoritários e de ódio no Brasil, tentando entender as causas e consequências; as novas formas de comunicação baseadas na deliberada desinformação e nas dimensões passional e estética; os limites e possibilidades da comunicação crítica, o papel das formas de comunicação alternativas no “ecossistema” de mídias do Brasil hoje; além dos protestos no Brasil durante o governo Dilma e seus desdobramentos, completaram a programação.


Com intervenções da docente Adriana Santana, a palestra “Comunicação crítica: limites e possibilidades, o papel das formas de comunicação alternativas no “ecossistema” de mídias do Brasil hoje (comunicação pública, jornalismo independente)”, que compôs a sessão 5 do último dia de evento, trouxe os palestrantes Paula Reis, do Departamento de Comunicação da UFPE, Fora da Curva e Rádio Paulo Freire; Inácio França, do Marco Zero Conteúdo; Ana Veloso, do Obmídia e ex-integrante do Conselho Curador da EBC; além de Gustavo Almeida, presidente da Empresa Pernambucana de Comunicação – EPC.


De acordo com Inácio França, nem sempre a solução do jornalismo independente está associada à tecnologia, um exemplo é o Fora da Curva. “Há limites e possibilidades do jornalismo independente como a capacidade de diversificar a captação de recursos, associar práticas e técnicas usadas no velho jornalismo com o jornalismo do século XXI, a capacidade de atuar em rede com esse ecossistema que está se formando, e a capacidade de mudar, experimentar e dialogar para quem não tem voz, principalmente as pessoas físicas”.


Inácio França completou dizendo que o Marco Zero Conteúdo não consegue fazer tudo isso, mas tem se esforçado para fazer. “A gente não precisa virar um Intercept do dia pra noite, temos que ir aos poucos, experimentando”.


Em seguida, foi a vez de Gustavo Almeida que está há dois anos à frente da EPC, uma empresa pública de comunicação do Estado. Ao relatar o trabalho feito na EPC, Gustavo afirmou que é um grande desafio pensar em como inovar a partir das relações, não só com as pessoas, mas com as coisas. “Como se relacionar com as pessoas físicas, trazê-las pra perto da gente e mudar a percepção do nosso público receptor de enxergar a mídia com caráter elitista? Hoje temos seres multimidiáticos que não possuem formação acadêmica, mesmo assim produzem conteúdo”. 


Durante o discurso, fez crítica ao orçamento anual destinado à EPC que chega a 4 milhões de reais. “O valor para Pernambuco é muito baixo. Fazer TV é caro e manter uma TV no ar é mais caro ainda, imagina uma TV pública”.


Gustavo Almeida destacou ainda, que os programas “TVPE no ar” e “TVPE Escola” são produzidos sem recursos. “O TVPE Escola funciona como uma oficina para alunos de escola pública que aprendem a produzir conteúdo com o telefone celular. Iniciamos com os estudantes e, agora, a formação será destinada aos professores também”.


Na sequência, a docente Paula Reis explanou a respeito da comunicação pública dentro da UFPE apresentando o contexto e formação do Programa Fora da Curva. “É um programa de entrevista, no formato de jornalismo analítico e posicionado que faz análise do que já está rolando de notícias. Costumo dizer que as pessoas que estão nas lutas sociais têm voz, só não têm espaço e, através do jornalismo cidadão, assume o seu lugar de fala. O interesse do público é o que nos interessa.”


Para encerrar a primeira composição da mesa, a professora Ana Veloso discutiu a atual situação da mídia brasileira e citou como exemplo, a manchete do dia do Jornal Aqui-PE. “É importante refletir, de forma crítica, os limites e as possibilidades da mídia e o efeito silenciador dela. Lutar por uma mídia que não viole os direitos humanos”.


Sobre “Jornalismo “fora da curva”: aprendizados”, os professores da UFPE Bruno Nogueira e Cecília Almeida, que também integram o projeto, apresentaram o Programa Fora da Curva como experiência de formação e de comunicação pública transmídia, acompanhados da representante do Centro de Mulheres do Cabo, Manina Aguiar, do produtor associado Eddie Rodrigues, e do bolsista do Programa, Guilherme, os quais apresentaram as próprias experiências em relação ao programa.


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