• Danielle Lins

Mudanças e recomeços para colher os frutos do próprio negócio

Atualizado: Jan 30

Ela não desistiu e segue encantando a todos com as delícias do seu negócio. Crédito: Diêgo Albuquerque Fotografia

Plantar e esperar o tempo da colheita não é uma tarefa fácil e nem todos estão dispostos a passar por essa fase, mas a empreendedora Maria José Marques Sales de Paula, carinhosamente chamada de Maiu, preferiu lidar com a espera e poder colher os frutos do seu estabelecimento, a Soparia Matriz. “Depois que abri isso aqui as coisas ficaram difíceis. Conversei com um amigo e ele me disse que para ter o próprio negócio tem que pegar a terra, limpar, aplainar a terra, botar adubo, fazer o buraco, plantar e daquela planta que cresce depois vai colher. A gente planta, mas não colhe na mesma hora. Eu nunca esqueci isso”, enfatiza.


Com força de vontade e iniciativa, dona Maiu precisou deixar para trás o trabalho que desenvolvia há anos em Vitória de Santo Antão, através da loja de confecções de biquínis e maiôs muito conhecida na cidade. Talvez, poucos não saibam, mas ela sofreu um acidente que a impossibilitou de continuar nessa jornada da costura. “Sofri um acidente na mão e não tive mais força nem habilidade para cortar. Faz uns 10 a 13 anos que deixei a costura e parti para outra coisa. Repassei a loja para minha filha”, explica.


Após se reabilitar do acidente, dona Maiu pensou no plano B para não desistir de trabalhar, pois ela é uma mulher que preza pela a independência. “Depois que sofri o acidente na mão eu disse: Meu Deus, eu vou fazer o quê? Não posso ficar sem fazer nada! Foi quando conversei com a minha tia que tem uma soparia em Porto de Galinhas. Ela me aconselhou a abrir uma aqui, mas achei que não teria condições. Aí foi quando comecei devagarzinho”, ressalta.


Casada e com dois filhos, dona Maiu garante que sempre buscou melhorias para o negócio. Com seis anos de soparia ela sentiu a necessidade de trazer mais serviços ao estabelecimento. “Pensei em colocar o restaurante também porque a soparia só abria a noite, o resto do dia ficava fechada, o dinheiro que entrasse serviria para pagar o aluguel e outras despesas. Hoje, passo a manhã trabalhando, às 15h a gente fecha e descansa, depois a gente abre de novo”, relata.


Aos 67 anos, guerreira, batalhadora e realizada, dona Maiu não se troca por mulheres mais jovens. “Não preciso de um companheiro para sobreviver porque tenho minha força de vontade para trabalhar. Ter meu marido é bom, mas me sinto uma mulher realizada, de garra, que não depende muito dos outros. Mesmo com a idade não me entrego e não me troco por certas mulheres de 30 nem de 20 não”, conta sorrindo.


Pensar nas conquistas alcançadas ao longo desses 40 anos de luta, dona Maiu diz ter vivido e desfrutado bem, mas o segredo é não desistir por difícil que pareça. “De bens materiais eu consegui muitas coisas, mas a gente vai repassando e vendendo durante o tempo. Sempre digo para as pessoas não desistirem, insistir em tudo que fizer hoje. Principalmente nós mulheres, não podemos depender de ninguém. Pode começar lá do chão, mas tem que ir em frente”, afirma.


Sobre o futuro dona Maiu não descarta a possibilidade de ampliar o estabelecimento, mas a dificuldade de encontrar funcionários dedicados é grande. “Tenho vontade de expandir em muitos lugares, mas não ter pessoas certas e dedicadas para tomar conta do meu negócio me preocupa. Principalmente na área de comida que é muito trabalhoso, tem que estar tudo organizado. Trabalhar com o ser humano é difícil”, adverte.


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