• Danielle Lins

Luta e resistência em favor das mulheres

Atualizado: Jan 30

Assistente social e feminista, Socorro Santos contribuiu para o movimento de mulheres em Vitória. Crédito: Diêgo Albuquerque Fotografia

A história desta mulher é bem mais que política, voltada a ajudar o próximo, de fazer pelas pessoas, do que sobre ela mesma. Ex-líder sindical, Socorro Santos, de 65 anos, foi, por muitos anos, educadora social, e um ano atrás concluiu o curso de Serviço Social. “Sou filha de trabalhador rural e de dona de casa com muito orgulho, minha mãe era analfabeta, meu pai não sabia escrever, o que ele escrevia só ele entendia, mas eu devo tudo o que sou a eles”, relembra.


Foram 17 anos no movimento sindical rural, onde tudo começou, trabalhando como educadora, assessora de sindicatos e na Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Pernambuco. “Eu cheguei ao movimento através do meu pai que foi um grande sindicalista. Junto com os trabalhadores nós fizemos muitas campanhas salariais, participamos em 79 da primeira greve na zona canavieira”, relata.


Importante ativista, Socorro foi ganhando notoriedade e tornando-se referência nos movimentos sociais. Há 30 anos, ela e outras mulheres criaram o Centro de Mulheres de Vitória de Santo Antão. Com o movimento em favor das mulheres nascendo em Pernambuco, ela foi uma das fundadoras do Fórum de Mulheres do Estado. “Em 1988, a gente criou o Centro de Mulheres daqui. São 30 anos de existência, fundação, resistência e muita luta. A minha vida se identificou com o lado feminista, o lado das mulheres, defendo as vítimas de violência”, evidencia.


O envolvimento com a causa das mulheres deu tão certo que em 2008, após a criação da Secretaria da Mulher em Vitória, foi convidada a assumir o cargo de Secretária Especial da Mulher, tornando-se a primeira secretária da pasta. “O movimento social com a Secretaria da Mulher foi muito forte na minha vida. Enfrentei muitas dificuldades, violência por parte de algumas pessoas poderosas na sociedade, mas estou aqui ainda na luta, acreditando que o mundo será melhor para as pessoas que conhecem os seus direitos, que sabem lutar por eles”.


Em uma passagem marcante, Socorro recorda que para a criação da Delegacia e da Secretaria da Mulher em Vitória existiu muita luta. “Não veio de presente nem de graça. Colocamos oito mil mulheres na rua no dia 8 de março, um dia em que a cidade abalou. Fundamos o Centro de Mulheres com 3.500 mulheres na rua, fizemos uma assembleia e saímos em caminhada na cidade, nunca tinha acontecido em Vitória, na época veio a mulher do governador Miguel Arraes, dona Madalena Arraes”, descreve emocionada.


Socorro, uma mulher que sempre teve o compromisso com o bem-estar de outras mulheres, lutando por políticas públicas para elas, há quatro anos foi acometida de um câncer de mama o que a fez retirar uma mama. “Eu não tenho medo de lutar, nos momentos mais escuros, mais difíceis da Ditadura Militar eu estava no movimento sindical rural, aprendi a ter coragem, a falar a verdade, ser sincera e muito criativa para sobreviver a toda essa demanda que vivi e ainda vivo um pouco hoje”, explica.


Atualmente, como coordenadora do Centro de Referência e Assistência Social – CRAS e coordenadora geral do Centro de Mulheres, Socorro fica feliz em ver jovens feministas em defesa dos direitos das mulheres. “Meninas jovens lutando, pegando o microfone e falando o certo. Sei que as sementes que eu e outras mulheres plantamos no estado de Pernambuco estão dando frutos. E o movimento social se organiza por necessidade de políticas públicas, a gente se une porque tem algo em comum. Eu acredito que o mundo será melhor quando o menor que padece acreditar no menor”, enfatiza.


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