• Danielle Lins

LIVE 5 - Por que estar atenta ao desenvolvimento econômico e político do país?



Você sabia que o empreendedorismo é responsável por produzir as riquezas de um país? Aqui no Brasil gera mais de 80% dos empregos e paga os impostos que sustentam o país. Pois é, mas o conceito de empreendedorismo vai muito além do que a simples ideia de ter o próprio negócio, está atrelado às atitudes empreendedoras, ao movimento empreendedor, o qual por sua vez busca encontrar soluções para resolver problemas sociais e promover transformação na sociedade.


E você, como empreendedora, precisa observar não apenas as demandas do seu ramo, mas também o que acontece no mercado político-econômico para obter o sucesso nas tomadas de decisão e melhorias para o seu negócio.


Para discutir esse assunto, a Drª em Ciência Política, Priscila Lapa, uma das cientistas políticas mulher de referência no estado de Pernambuco, participou da Live 5 da série “Empreender com Propósito”, realizada nesta terça-feira (18), no nosso Instagram.


Priscila Lapa também é jornalista com especialização, mestrado e doutorado em Ciência Política, graduada em Serviço Social e especialista em Sociologia Política. É professora universitária há 13 anos e analista técnica no SEBRAE-PE, atuando na área de Políticas Públicas, desde 2014. Idealizadora do site Política em Pauta que traz um diálogo amigável, leve e informativo. A partir do conhecimento em campanhas eleitorais, marketing político, pequenos negócios e políticas públicas de apoio ao empreendedor, Priscila tem artigos publicados, participações e comentários em diversos veículos de comunicação. Ela desenvolveu uma carreira como palestrante e debatedora em temas como eleições, gestão pública, políticas públicas, Poder Legislativo e participação das mulheres na política.


Confira os insights da live:


O que você sabe sobre Política?


No começo existia um desconhecimento sobre política que era associada à questões como: “É muito complicado”, “não é pra mim”. É da cultura brasileira associar a política com atitudes escusas, corrupção e aquilo que não presta: “Fulano é até bonzinho, mas depois que entrou na política se corrompeu, o sistema corrompe.” Tal pensamento distancia o indivíduo do assunto.


A Ciência Política estudou que o indivíduo só se aproxima da política e discute a agenda durante o processo eleitoral. Mas esse é o pior período para se informar porque as informações são colocadas nos tons diferentes daquilo que é a realidade, é a época das emoções afloradas. As campanhas servem como atalhos de informação para se informar sobre agendas, perfis, mas não para tomar decisão.


À medida que a gente vai construindo um conhecimento sobre alguma coisa vamos dominando aquilo.”


Ao longo dos séculos confundimos o conceito de política com o sistema representativo: “Eu escolho alguém que vai exercer um mandato em meu nome e que vai conseguir tomar as melhores decisões”. Tornou-se sinônimo de voto, de eleição e da relação entre representante e representado.


Hoje a política virou palco de torcida organizada, o cidadão veio discutir política com informações muito precárias, apenas com a vontade de opinar do que entender do assunto.


O desafio maior é acalmar os ânimos, descer de palanques e começar a compreender as coisas. É importante as pessoas terem opinião, mas essa opinião não é soberana e ninguém é soberano nas suas ideias.


A política tem a ver com essa construção de ideias e quanto mais informada você está, mas fundamentadas estarão as suas ideias tanto para você empreender, para ser uma boa cidadã, para ser uma boa mãe.


Política e a sociedade coletiva


O ápice do exercício da cidadania, da relação Estado-cidadão, é de que somos sociedade porque temos a capacidade de construir coletivamente normativos que deem o limite das relações.


O maior desafio para vencer a Covid-19 é a falta de projeto coletivo, um problema que envolve mudança de comportamentos individuais para gerar resultados coletivos, mas preferimos o conforto de dizer: “Eu votei em alguém para resolver isso”, e abrimos mão de exercer essa ideia juntos.


Hoje entramos numa histeria de que tudo nos divide, nada nos une, nem na dor, pandemia, cova aberta, é capaz de nos unir e voltar para a normalidade de um debate saudável. Mas para ter o coletivo é preciso abrir mão do individual e contribuir para o bem-estar de todo mundo.


Desafazer esse modelo de construção do Estado brasileiro e da relação entre Estado e sociedade autoritária requer muita educação e cultura política.


Uma relação que se retroalimenta


Os governantes refletem o comportamento coletivo da sociedade. A partir do momento em que me proponho a exercer um cargo público para ter qualquer tipo de barganha com o cidadão, sem ter a visão mais ampla do meu papel como legislador, eu alimento no cidadão o desejo de que o meu mandato está a serviço de um projeto individual e não de um projeto coletivo.


Enquanto não rejeitarmos esses comportamentos como sociedade e coletividade, vamos continuar alimentando os nossos governantes, e nas esferas de representação eles vão reproduzir isso. É um ciclo vicioso de: “Eu voto em você para me beneficiar”.


Essa relação é explicável e aceitável diante de toda distorção existente no Brasil, mas a origem não é do cidadão, e sim do modelo de Estado. A falta de transparência, principalmente na destinação dos impostos, dificulta a população ter clareza.


Planejar mais as etapas da jornada empreendedora


No mundo empreendedor o planejamento ajuda bastante, pois o pior cenário é de estar às cegas do que acontece a sua volta. Certezas não temos muitas, principalmente no mundo empreendedor, mas é preciso ter o plano A, B, além do desejo plantado para ter ação.


Crescimento do empreendedorismo e representação feminina


À medida que cresce o movimento de protagonismo feminino aflora os movimentos conservadores que tentam recolocar a mulher no seu “espaço”, criando um discurso de culpar os problemas familiares com o fato da mulher estar no mercado de trabalho, e de que há lugares que são feitos para mulheres e lugares que não são.


A pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) revela que em 2019, antes da pandemia, houve um movimento crescente do empreendedorismo no Brasil, tanto do empreendedorismo inicial (até três ano e meio de negócio) quanto do consolidado (a partir de três ano e meio em diante), e do empreendedorismo feminino. As mulheres ainda não são a maioria de empreendedores no país, mas estão chegando lá.


O mundo dos negócios ainda é extremamente masculinizado com a colocação de muitos estigmas: “Não é lugar de mulher”, “mulher não nasceu pra isso”, “a mulher não tem tino para os negócios”, “não sabe liderar porque é muito ‘coração de manteiga’”. Há um longo caminho para vencer, em contrapartida a pauta da representação feminina na política é irreversível.


Formação dos quadros partidários


O investimento de candidaturas femininas ainda é muito precário no Brasil. 88% dos cargos de liderança são ocupados por homens, ou seja, os presidentes de partidos quem decide.


Na hora de distribuir o dinheiro do fundo eleitoral, por exemplo, 70% é investido nas candidaturas masculinas e 30% para as candidaturas femininas. A justificativa dada ao TSE é de que as mulheres não querem atuar na política porque mulher não vota em mulher e é competitiva. “Mais um mito construído e temos que desfazer esses empecilhos e obstáculos.”


Estamos avançando nos dois lados: tanto no número de mulheres que se colocam como candidatas, quanto a quantidade de mulheres que não é mais um eleitor passivo, entendeu que o nosso voto é decisivo, somos mais de 50% do eleitorado e interferimos no resultado da eleição.


Estudo acadêmico das eleições de 2016 aponta:


Mulher na liderança da gestão municipal no Brasil investe mais em políticas públicas sociais. Quase 100% dos municípios onde tem mulher como prefeita existe alguma instituição de defesa dos direitos da mulher, seja uma secretaria, diretoria.


Em Pernambuco, por exemplo, quase todos os municípios têm algum tipo de instituição para cuidar desses direitos porque quando a mulher está à frente ela traz essa agenda para o centro da discussão tornando-a prioritária.


A mulher é mais usuária dos serviços públicos do que o homem, por isso ela sabe onde está o desconforto e o que precisa ser melhorado. Ela tem a visão de gestão pública mais apurada do que os homens, mas não significa que todo homem não tem, o fato é que é preciso dar oportunidades para as mulheres.

Perdeu a live? Deixei salva lá no Instagram: https://www.instagram.com/tv/CEDNqgMqP2Z/


Também está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=9x2L2Ylyf5E


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