• Danielle Lins

Ela escolheu servir para viver

Atualizado: Jan 30

Essa é a disposição de Helena Melo, em pleno os 75 anos, para continuar ajudando quem precisa. Crédito: Diêgo Albuquerque Fotografia

“O melhor investimento da vida é fazer o bem ao próximo”, esse é um dos pensamentos que norteia a vida de Maria Helena Soares Melo, de 75 anos, empresária na Loja Proposital, presidente do Centro Especial de Prevenção e Atendimento ao Câncer – CEPACA, e engajada aos movimentos da Igreja Católica. “Meu lema é servir. Já dizia Gandhi: “Quem não vive para servir não serve para viver”, eu sempre trabalhei com esses pensamentos na minha vida”, conta.


Casada com José de Oliveira Melo, há 53 anos, com quem tem quatro filhos, Helena é natural de Natal, já morou em Arcoverde, e hoje vive em Vitória de Santo Antão. “Lá no Rio Grande do Norte eu já me dedicava a ajudar o próximo, fazia visitas domiciliares na periferia de Currais Novos. Em 1985, meu esposo foi transferido para cá, conheci pessoas da rede feminina de combate ao câncer e comecei a fazer parte, inclusive já fui presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Vitória. Numa periferia daqui me deparei com o caso muito triste de um senhor que tinha câncer no nariz, abandonado pela esposa, vivia sem assistência”, relembra.


A cena, até hoje nítida em sua memória, fez com que Helena tomasse a iniciativa de correr atrás de um terreno para construir uma casa de apoio às pessoas carentes. Com o auxílio de amigos e da comunidade local que abraçaram a causa, conseguiu a doação do terreno por parte da prefeitura que hoje funciona o CURES-CEPACA. “Eu não fazia as coisas sozinha, tinham pessoas que me ajudavam, mas era eu quem tomava a frente. Foram anos de luta, através de campanhas de material reciclado, bazar, festas, bailes de debutantes, show-bingo, desfiles de moda, jantares, chás beneficentes, barracas nas exposições de animais”, detalha.


O trabalho foi árduo e levou 20 anos para concluir a construção do prédio. Nesse tempo a ajuda principal era da comunidade de Vitória, pois não contava com renda e nem verba de governo. “A gente fazia uma coisa e parava porque não tinha dinheiro, o povo ajudava, um dava areia, outro tijolo, dinheiro, mas não era muita coisa, é aquela história: o pouco com Deus é muito, o muito sem Deus é nada. De migalha e migalha construímos”, ressalta.


Há dois anos a obra foi finalizada e o prédio ficou pronto, mas sem dinheiro para mobiliar o espaço e começar a funcionar, Helena precisou firmar uma parceria com a Faculdade Osman Lins – FACOL, a qual na época buscava um local para s aulas práticas dos alunos. Hoje, o centro filantrópico atende uma média de 600 pessoas por mês gratuitamente, oferecendo serviços de odontologia, fisioterapia e psicologia. “Nós fizemos a parceria CEPACA e CURES para a faculdade assumir todas as despesas. Não me arrependo. Temos toda assistência e uma sala para fazer prevenção de câncer de mama”, enfatiza.


Sinônimo de perseverança, serviço e fé, Helena sempre teve o jogo de cintura para administrar o trabalho filantrópico com a família, a loja, além das obras na igreja. Ultimamente ela se dedica mais à instituição religiosa que faz parte, é catequista de 1ª eucaristia e crisma, integra a equipe de eventos, do dízimo pastoral, é membro do conselho paroquial e ainda canta no coral. “Graças a Deus meu marido é muito compreensivo, nunca me proibiu porque ele sabe que eu gosto e respeita o meu temperamento. Quando não tenho catequese fico em casa uma parte do dia, à tarde vou à loja e ainda dou suporte às pessoas que me procuram para encaminhar pacientes ao Hospital do Câncer. Na loja eu vou mais para passear, dar um apoio, porque quem toma conta hoje é a minha filha, ela é minha sócia”, explica.


Para essa mulher que preza pela confiança, pontualidade e sinceridade, o que importa é viver o agora. O tempo dela é preenchido com trabalhos e serviços. “Não paro. Quem para adoece e não tenho tempo para ter depressão. Meu propósito enquanto eu tiver saúde e disposição é de jamais parar, gosto de estar sempre na ativa. Acredito que devemos ir à luta, ter ânimo para vencer. Como cristã a gente procura colocar em prática os ensinamentos de Jesus, se Ele veio para servir, então por que a gente não querer ser imitador de Cristo? Sempre digo: “Se é belo ter um ideal é sublime morrer por ele”. Com esse pensamento trabalhei para construir o CEPACA e ainda dizia: Se eu morrer por conta disso eu morro satisfeita”, finaliza.


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