• Danielle Lins

A função social da arquitetura

Atualizado: Jan 30

Selma tem obras espalhadas por toda cidade de Vitória e encoraja mais mulheres a serem realizadas na vida. Crédito: Diêgo Albuquerque Fotografia

A primeira arquiteta de Vitória de Santo Antão, Selma Morais de Santana Rodrigues de Andrade, de 55 anos, é conhecida pelas diversas obras públicas que assinou e estão espalhadas pela cidade. A escolha do curso partiu da mãe dela. “Eu fiz arquitetura por sugestão da minha mãe que via os meus trabalhos manuais e que gostava de desenhar. Passei na UFPE, naquela época o curso era tão concorrido quanto o de Medicina, a partir daí comecei a fazer obras e trabalhar com ambientação”, assegura.


Selma Morais conta que sua atuação é bem vasta e já fez muitas coisas ao longo da carreira, na área comercial, de saúde, reformas de hospitais e consultórios. “Uma coisa que me deu uma realização muito grande foi trabalhar na área pública. Passei oito anos trabalhando na prefeitura e é uma recompensa notável porque abrange muita gente, por exemplo, as praças de Vitória quem reformou fui eu, além dos projetos nos postos de saúde”, detalha satisfeita.


Apaixonada intensamente pela profissão, Selma ressalta que o trabalho de um arquiteto vai muito além de dar forma a alguma coisa, a arquitetura está ligada à função social. “A partir da construção de uma simples casa, se preocupa com o local em que ela está inserida, com os recursos utilizados, pensando em dar qualidade de vida a uma cidade. Por exemplo, com a reforma da Praça da Matriz há seis anos, que foi a minha primeira, ela mudou a forma de vida das pessoas, ou seja, quando o bem público é tratado em prol do indivíduo então se tem um retorno, as pessoas continuam tendo o mesmo uso, apesar de mudar o público”, garante.


Por se envolver e buscar exercer seu trabalho com bastante integridade, de forma correta, Selma adquiriu reconhecimento e visibilidade do público. Mas os desafios são muitos, principalmente na conclusão do projeto. “Finalizar já é um desafio, conjugar as dificuldades, a quantidade de pessoas que trabalham comigo, os anseios de um cliente porque é muita mão de obra envolvida. É um desafio realizar o sonho do cliente e deixá-lo satisfeito”, expõe.


Atualmente a rotina está mais tranquila, pois Selma se dedica ao escritório particular com a filha que fica perto de casa, mesmo assim continua visitando obras, fazendo projetos, cuidando da casa e da família. “Na época da prefeitura eu fui secretária também então era muito corrido. Hoje em dia quem faz o horário sou eu, precisei desacelerar um pouco porque minha mãe está morando comigo. Agora tenho mais tempo com a família, conversar, fazer todas as refeições juntos. Com jogo de cintura a gente consegue conciliar, meu marido sempre me apoiou, mas mesmo com essa atual rotina ainda é muito difícil ter um tempo para mim”, explica.


De voz serena e norteadora, Selma narra a experiência de vida para influenciar outras mulheres. “Tomar conta de uma família é algo maravilhoso, você não vai parar e pode se realizar do mesmo jeito, para ser uma mulher bem sucedida não precisa, obrigatoriamente, trabalhar fora porque ter uma família estruturada hoje em dia já é um grande desafio. Acredito que não diminui ninguém ser dona de casa. Mas se a mulher deseja fazer alguma coisa no mercado de trabalho, é começar, para tudo na vida não adianta sonhar sem realizar. Vão ter sempre as Amélias e vão existir também aquelas que vão lutar e vão à frente. Acho que o grande problema é a gente não carregar essa culpa de não conseguir ser cem por cento em tudo e falhar em algumas coisas”, observa.


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